Na última terça-feira de maio, os cinco municípios remanescentes da Associação de Municípios das Encostas da Serra Geral (Amesg) decidiram assumir formalmente o fim da associação, de curtíssima história, por sinal.
Apesar da quantidade e diversidade de vozes discordantes na época, o mês de agosto de 2009 viu sete municípios do sul de Santa Catarina abandonarem suas associações municipais – Amurel e Amrec -, para passarem a constituir a nova associação, erguida sob o mote original “Municípios do pé da serra” e depois “das encostas da Serra Geral”, como veio a ser formalmente conhecido.
Inicialmente, quando as intenções separatistas estavam fervilhando, foram anunciados 11 municípios em intenção de cisão; outras fontes chegaram a anunciar 15 municípios. Fosse como fosse, o panorama no curto prazo parecia devastador, porque uma eventual concretização dessa iniciativa, mesmo de parte de 11 municípios, equivaleria a algo como 40% da Amurel e da Amrec somadas. A cisão, contudo, ficou apenas por sete municípios, embora não sem causar alguma turbulência na região, no que se refere à vida associativa e aos elos de confiança e cooperação que, sempre difíceis de conquistar, já haviam sido firmados.
Cooperação intermunicipal essa, sem a qual, dificilmente o sul do estado conseguirá atingir uma posição competitiva de desenvolvimento econômico e humano, dentro da região sul do Brasil, face ao Paraná, ao desenvolvido norte de SC e ao Rio Grande do Sul. Afinal, se a integração regional tem um custo e implica sacrifícios, continuar sendo o parente pobre da família tem um custo muito maior… hoje e no futuro.
Assim, na fase épica de formação do que viria ser a Amesg, São Ludgero, Orleans, Lauro Müller, Pedras Grandes, Grão Pará, Gravatal e Rio Fortuna (que participaria como associado apenas através da Câmara de Vereadores) invocaram alguns argumentos como: identidade de atividades econômicas, a mesma cultura e tradições, o fortalecimento da região, o compartilhamento geográfico das encostas da Serra Geral e outros. Por outro lado, diversos jornalistas, analistas e comentadores, na época, não encontraram argumentos reais nesses argumentos, do ponto de vista do cimento que haveria de unir os municípios do pé da serra, segundo atestam muitas entrevistas e artigos de opinião que, prontamente, a mídia veiculou.
Seja como for, a menos de dois anos da data de formalização da Amesg, verificou-se um vazio de projetos e realizações, sem que a união dos municípios tivesse conseguido sanar o embate de posições políticas ou partidárias mais ou menos individualistas, ou contribuído efetivamente para alavancar o desenvolvimento econômico e social. Enquanto políticos brigam e recrutam seguidores para a briga, a região perde, perdem todos, perde o desenvolvimento, perde a integração de esforços e recursos para alavancar a região. A Amesg ficará para o futuro como uma tentativa genuína de fazer melhor, mas também de como não fazer o que deve ser feito para obter resultados palpáveis.
O que acontecerá agora aos municípios separatistas? Segundo os comentadores, é provável que Orleans volte a integrar a Amurel, como aconteceu com Lauro Müller, o primeiro município a desistir, em 2010; porém, a decisão de Orleans ainda está pendente. Pedras Grandes poderá retornar à Amurel, mas considera a Amrec como opção. Grão-Pará poderá também retornar à Amurel. No que diz respeito a São Ludgero e Gravatal (ambas ex-Amurel), as intenções anunciadas pelos prefeitos são, no momento, por não integrar nenhuma das associações; mas segundo declarações na mídia, o prefeito de Gravatal não se encontra inclinado para retornar à Amurel.
(Continua na edição de amanhã).

